quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A Preservação do Território Brasileiro

             No final do século XVIII, as restrições econômicas de Portugal ao Brasil chegaram ao seu ponto máximo, ao mesmo tempo em que as idéias liberais difundiam-se pelo país. A Inconfidência (ou Conjuração) Mineira seria o primeiro movimento a manifestar claramente a intenção de roper com Portugal. Alguns anos depois eclodiria a Conjuração Baiana (também chamada de Inconfidência Baiana), movimento com características acentuadamente populares. Em 1817 ocorreria em Pernambuco a chamada Insurreição Pernambucana, a maior rebelião colonial pela independência.
  •  O Brasil Considerado Terra de ninguém: O direito de Portugal e Espanha sobre as terras da América, estabelecido pelo Tratado de Tordesilha, nunca foi reconhecido por nações como França e Inglaterra. Por isso, fizeram diversas tentativas para dominar certas regiões do Brasil.
  • França Antártica: A fundação da França Antártica na Baía de Guanabara deu-se em 1555, por tropas comandadas por Nicolau Villegaignon. Os franceses mantiveram por um bom tempo suas posições com a ajuda dos indígenas (Confederação dos Tamoios). No Governo de Mem de Sá, os franceses foram expulsos, em 1567, por tropas comandadas por Estácio de Sá.
  • França Equinocial: A fundação da França Equinocial deu-se no Maranhão, por tropas comandadas por Daniel de La-Touche. Neste local, os franceses fundaram o forte São Luís. Os franceses foram expulsos por tropas comandadas por Jerônimo de Albuquerque e Alexandre de Moura, em 1615.
  • Domínio espanhol: D. Sebastião morreu sem deixa descendentes. O trono português foi assumido pelo seu tio-avô, o cardeal  D. Henrique, que morreu dois anos depois. Felipe II, Rei de Espanha, e neto de D. Manuel, acaba conquistando o trono português e promovendo a União Ibérica (1580 - 1640). É durante o domínio espanhol que os holandeses decidem invadir o Nordeste brasileiro para romper o bloqueio econômico que Felipe II pretendia impor à nascente República das Províncias Unidas.
  • Invasão  holandesa à Bahia: O lugar escolhido para a primeira invasão foi a capital da colônia, Salvador. Sem encontrar grandes resistências, os holandeses rapidamente dominaram a cidade. Enfrentaram, contudo, uma lenta e desgastante reação guerrilheira, que tinha entre seus líderes o bispo D. Marcos Teixeira. Para auxiliar os colonos na expulsão dos holandeses, uma poderosa esquadra luso-espanhola foi enviada ao Brasil, sob o comando de D. Fradique de Toledo Osório. Cercados por mar e terra, os holandeses renderam-se em 1°. de maio de 1625.
  • Invasão holandesa de Pernambuco: A segunda invasão holandesa ocorreu em Pernambuco, a mais rica Capitania da época. O Governador Matias de Albuquerque não dispunha de forças suficientes para resistir; fugiu, então, para o interior, onde fundou o Arraial do Bom Jesus. Para combater os holandeses, adotou a tática da guerrilha, que estava dando bons resultados até que Calabar decidiu auxiliar os holandeses, fornecendo-lhes preciosas informações sobre a região. Os holandeses conseguiram liquidar a resistência luso-brasileira e nomearam João Maurício de Nassau Siegen Governador Geral da Colônia Holandesa. Nassau realizou uma habilidosa administração, fazendo diminuir a revolta dos luso-brasileiros contra a ocupação holandesa. Governou de 1637 a 1644, ano em que retornou a Holanda em razão de desentendimentos com a companhia da Índias Ocidentais (WIC).
  • A Insurreição Pernambucana: Depois da saída de Maurício de Nassau, a administração holandesa tornou-se mais cruel e prepotente. Por isso, os colonos organizaram um amplo movimento de combate aos holandeses, denominado Insurreição Pernambucana. Nas lutas empreendidas contra os holandeses destacam-se as vitórias alcançadas nas Batalhas dos Guararapes. A rendição final dos holandeses dá-se em 1654, quando os luso-brasileiros conseguem cercá-los, com a ajuda de uma esquadra comandada por Pedro Jacques de Magalhães. A rendição holandesa só produziu efeitos plenos em 1661, com a assinatura da Paz de Haia.
  • A decadência econômica portuguesa: Ao final da União Ibérica, Portugal estava numa situação de profunda crise econômica. A essa altura, somente o Brasil lhe restava entre as colônias economicamente importantes. A concorrência do açúcar antilhano e o início da dependência política e econômica em relação à Inglaterra assinalam esse período de crise para Portugal.
                                   
                               Os Navios holandeses



                      
Sugestões de livros
  • HOLANDA, Sérgio Buarque de. História geral da civilização brasileira. 1973
  • MENDES JÚNIOR, Antônio; RONCARI, Luiz & MARANHÃO, Ricardo. 1989
  • MOTA, Carlos Guilherme. Idéia de revolução no Brasil (1789-1801). 1979

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A Expansão territorial e a fixação das fronteiras

         A expansão e a ocupação do território brasileiro foram ocasionadas por diversos fatore, entre os quais destacam-se  as atividades econômicas, as expandições para expulsão de estrangeiros, a busca de riqueza minerais e de índios para escravizar. Em 1750, com o tratado de Madri, praticamente estavam delineados os contornos de nossas fronteiras atuais.
  • A conquista do sertão: O povoamento do Brasil evoluiu no sentido litoral-interior. A princípio, os portugueses instalaram-se na região litorânea, e lá permaneceram "como caranguejos a rondar as praias". Pouco a pouco, iniciou-se a penetração para o interior através dos jesuítas, bandeirantes e boiadeiros.
  • A atividade dos jesuítas: A Companhia de Jesus assumiu como missão combater as idéias protestantes e difundir o catolicismo. A arma utilizada na conquista espiritual  era a educação escolar que infetizava o ensino religioso. Para catequizar o índio, os jesuítas penetraram no sertão e fundaram aldealmentos chamados missões ou reduções. Tais aldeamentos foram o alvo predileto do bandeirismo apresador. Para conquitar os colonos fudaram uma escola de nível elementar.
  • As Entradas: Eram expedições de caráter oficial que foram organizadas pelo Governo para expiorar e reconhecer o sertão.
  • As Bandeiras: Eram expedições organizadas e patrocinada por grupos particulares. Havia três tipos básicos de bandeirismo: o apresador (voltado à captura de índios para a escravização); o prospector (voltado à busca de metais preciosos) e o sertanismo de contrato (prestava serviços à classe dirigente colonial, mediante contrato, para combater índios ou negros).
  • A pecuária: Desempenhou importantíssimo papel na vida colonial. Fornecia à população da  Colônia a carne, o couro, com suas múltiplas utilidades, e os animais de transporte para as zonas agrícolas e mineradoras. Além disso, realizou uma tarefa monumental em termos de conquista e ocupação do vasto território brasileiro. Aspecto fundamental da pecuária é que representava um negócio interno da Colônia, cujos lucros eram incorporados ao País. As duas principais zonas criatórias foram as caatingas do Nordeste e as campinas do Sul.
  • Tratados e fronteiras: A forma geográfica do Brasil seria totalmente diversa da atual, se Portugal e Espanha tivessem cumprido as determinaçãoes do Tratado de Tordesilhas. Isto não aconteceu e uma série de novos tratados foram assinados para que as fronteiras do Brasil fossem definitivamente fixadas. Dentre esses tratados, destacam-se: os de Utrecht (1713 e 1715), o de Madri (1750), o Acordo do Pardo (1761), o de Santo llfonso (1777) e o De Badajós (1801).


                                            Cronologia
      1504- Primeira Entrada de reconhecimento de Cabo Frio, dirigida por Américo Vespúcio.
    1549- Chegada dos jesuitas ao Brasil, com o primeiro Govermador Geral, tomé de Souza.
    1553- Chegada ao Brasil do Padre José de Anchieta.
    1674- Bandeira de Fermão Dias Pais Leme parte em direção ao sertão de Minas Gerais.
    1690 a 95- São encontradas as primeiras jazidas de ouro no Brasil.
    1694- O bandeirante Domigos Jorge Velho ( Sertanismo de contrato). destrói o Quilombo dos Palmares.
    1701- É proibida a criação de gado numa faixa de dez léquas a partir do litoral.
    1713- Tratado de Utrcht (a França aceitava o rio Oiaporque como limite entre a Guiana e o Brasil).
    1715- Tratado de Utrcht (a Espanha concodava em devolver a Colônia do Sacramento a Portugal).
    1750- Tratado de Madri (determinava  que a Colônia do Sacramento perteceria aos espanhóis e a região dos Sete Povos das Missões pertenceria aos portugueses).
    1759- Expusão dos jesuítas do Brasil,  por determinação do  marquês de Pombal.
    1761- Acordo do Pardo ( Espanha e Portugal anulam o tratado de Madri).
    1777- Tratado de Santo lldefonso (a Espanha ficaria com a Colônia do Sacramento e a região dos Sete Povos das Missões, mas devolveria terras que havia ocupado nos atuais Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul).
    1801- Tratado de Badajos ( a Espanha renuncia à posse dos Sete Povos das Missões e Portugal confirma o direito espanhol à Colônia do Sacramento).
     

    Sugestões de leitura
    • Moog, Viana. Bandeirantes e pioneiros. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,1993.
    • Prado Júnio, Caio. Formação do Brasil conteporâneo.13 ed. São Paulo: Brasiliense.1973.
    • Holanda, Sérgio Buarque de. Monções. 3 ed. São Paulo: Brasiliense, 1990.
    

    terça-feira, 24 de agosto de 2010

    A época de ouro no Brasil

          Com a decadência da economia açucareira no Brasil, Portugal voltou a estimular a procura de ouro. O precioso metal foi finalmente encontradona última década do século XVII, e sua exploração alterou a sociedade e a economia brasileiras, Surgiram novos grupos sociais e criou-se um mercado interno. O negro, no entanto, continuaria escravizado e reagiria sob formas variadas, do suicídio à formação de quilombos. No final do ciclo do ouro, a decadência da mineração seria seguida de um renascimento agrícola.
    •  A época do ouro: a descoberta das jazidas de ouro, a partir de fins do século XVII, provocou uma verdadeira corrida em direção a Minas Gerais. Com tanta gente chegando, Minas Gerais conheceu um acelerado desenvolvimento. Nasceram importantes vilas e cidades como Vila Rica, Congonhas do Campo, Sabará, Mariana, São João Del Rei.
    • O controle da metrópole: o Governo  português logo tratou de montar um esquema administrativo para exercer controle sobre a região mineradora. Em 1702, criou a Intendência das minas e, em 1720, as Casas de Fundição. A transferência da capital do Estado do Brasil, de Salvador para o Rio de Janeiro, em1763, também faz parte do conjunto de medidas que visavam controlar as atividades mineradoras. A transferência da capital demonstra que o centro econômico do Brasil havia-se deslocado do Nordeste para o Sul.
    • Guerra  dos Eboabas: foi o conflito, iniciado em 1708, entre  paulistas e portugueses -apelidados emboabas-pelo controle da região mineradora. A Coroa portuguesa soube aproveitar-se do conflito para intertir  nas minas e exercer um rígido controle econômico sobre a região.
    • Revolta de Vila Rica: foi liberada pelo português Felipe dos Santos que, em 1720, exigiu do Governador de Minas Gerais o fechamento das casas de fundições. O desfecho da revolta foi altamente desfavorável para os revoltosos. Felipe dos Santos foi condenado à pena de morte.
    • A sociedade mineira: caracterizava-se por uma vida predominantemente urbana, da qual participavam diversos tipos de pessoas. A mobilidade social era relativamente mais fácil  do que no Nordeste açucareiro. Apossibilidade de súbito enriquecimento atenuava até mesmo o preconceito de raça. A riqueza, a principio fácil e abundante, levou  diversas pessoas a uma vida de ostentação, vícios e esbanjamento. Muitas pessoas, entretanto, ultilizaram suas riquezas para o requinte espiritual. Daí porque surgiram em Minas os primeiros movimentos artísticos do Brasil Colonial.
    • O mercado interno e os transportes: a exploração do ouro,  sendo a atividade dominante, tornou a sociedade mineira um excelente centro consumidor de alimentos e outros produtos dentro da Colônia. O abastecimento de Minas Gerais envolveu três tipos  principais de  transportes; o trasporte marítimo à vela, o trasporte fluvial e o trasporte pelo mar. Este último foi o mais importante para o abastecimento geral das minas.
    • Produção de diamantes: foi muito importante a produção de diamantes que se veifico no Brasil, a partir de 1729, no Arraial do Tijuco, em Minas Gerais. A região ficou submetida, a partir de 1771, ao savero controle da Intendência dos Diamantes que isolou o distrito diamantino para exercer sobre ele uma ação das mais enérgicas e rigorosas.
    • Consequências do ouro: a exploração do ouro brasileiro pouco serviu ao nosso desenvolvimento e até mesmo ao desenvolvimento de Portugal. A grande beneficiária do ouro brasileiro foi a Inglaterra que, recebendo nosso ouro, pôde estimular seu desenvolvimento industrial. Em termos internos, as principais consequências do ciclo do ouro foram: deslocamento de inúmeras pessoas para o sertão; agravamento do choque de interesses entre a população da Colônia e da Metrópole.
                           Cronologia
    1693 a 95- São descobertas as primeiras jazidas de ouro em Minas Gerais.
    1702-  É criada a Intendência das Minas, tendo como função básica distribuir terras para a exploração do ouro e cobrar tributos para a Fazenda Real.
    1708-  Tem inicio a Guerra dos Emboabas. No ano seguinte, 1709, ocorre a sangrenta matança de paulistas, por um exércicio emboaba, no Capão da  Traição.
    1720- São criadas as Casas de Fundição,  onde todo o ouro deveria ser levado para a trasformação em barras Ao receber o ouro, as Casas retiravam a parte correspondente ao imposto (o quinto). Nesse mesmo ano, explode a Revolta de Vila Rica, protestando contra a criação das Casas de Fundição.

                                        
     Mina de ouro-MG

    Entrada da mina de ouro-MG


    Lago no interior da mina de ouro-MG






                            Sugestões de leitura:

    • Boxer,C.R. A idade de ouro do Brasil. São Paulo: Nacional,1963.
    •  Mendes Júnior, Antônio; Roncari, luiz&maranhão, Ricardo.
    • Freitas, Décio. palmares, a guerra dos escravos.

    segunda-feira, 23 de agosto de 2010

    As principais rebeliões coloniais

          A crise do capitalismo comercial e as contradições no interior da colônia geraram a crise do colonialismo a partir da segunda metade do século XVIII. A Revolução Industrial tornou ultrapassado o mercantilismo. Portugal, não se adequando aos novos tempo, procurou superar a crise ampliando a exploração ao Brasil. Tal atitude estimularia as rebeliões nativas e as rebeliões de libertação nacional.
    • O choque inevitável entre Colônia e Metrópole: o funcionamento do sitema de exploração colonial gerava contradições na medida em que para explorar era preciso desenvolver a Colônia. O desenvolvimento forta a classe colonial que veio a se opor aos interesses metropolitanos. As tensões insuportéveis entre Colônia e Metrópole explodiram em diversas revoltas. 
    • Revolta de Beckman: Foi liderada pelo senhor de engenho Manuel Beckman, tendocomo palco o Estado do Maranhão, em1684. Essa revolta foi motivada pela crise de mão-de-obr que a Companhia Geral de Comércio do Estado do Maranhão não conseguiu solucionar e pelas dificuldades econômicas da empresa açucareira. Reprimida a revolta pelas forças metropolitanas,  Manuel Beckmam e mais dois chefes do movimento foram enforcados.
    • Guerra dos Mascates: foi o conflito entre os senhores de engenho de Olinda e os comerciantes de Recife, apelidados de mascates. Os senhores de engenho, revoltados contra a autonomia adminitrativa pretendida por Recife, organizam uma rebelião  que exlodiu em 1710. Ao final do conflito, os mascates saíram vitoriosos e Recife tornou-se ca capital de Pernambuco.
    • Conjuração Mineira: teve como palco o ambiente de Minas Gerais, na fase da decadência da exploração do ouro (1789). As idéias liberais eurpéia e o clima geral de dscontentamento diante dos pesados impostos  incediaram a revolta num influente grupo de conspiradores. O prejeto dos inconfidentes incluía medidas como: liberta o Brasil de Portugal contituindo uma República, com capital em São Jão Del Rei; fundar uma Universidade em Vila Rica; desenvolver manufaturas no País e estimular a agricultura. A Conjuração Mineira foi traída por alguns elementos que faziam parte do próprio grupo. O Governo agiu rapidamente, prendendo, julgando e condenando os implicados. Mas, somente Tiradentes foi condenado à morte, sendo enforcado e esquartejado, no dia 21  de Abril de 1792.
    • Conjuração Baiana: expludiu dez anos depois da Conjuração Mineira, em 1798. Tinhaum maior alcance popular, pois seus objetivos estavam mais voltados às aspirações do povo. Propunha, por exemplo, a abolição da escravidão, que não consta do projeto dos conjurados mineiros. O movimento baiano sofreu severa repressão e quatro rebeldes de origem humilde, João de Deus, Manuel Faustino, Luís Gonzaga e Lucas Dantas foram enforcadose esquartejados, em 8 de novembro de 1799. 
                                     Cronologia
    1684- Explode, no Maranhão, a Revolta  liberada pelo senhor de engenho Manuel Beckman.
    1710- Explode a Guerra  dos Mascates, conflito entre os senhores de engenho de Olinda e os comerciantes de Recife.
    1720- Explode a Revolta de Vila Rica, liderada por felipe dos Santos.
    1789- Organize-se conjuração Mineira, que teve como desfecho a condenação e à morte de Tiradentes (21 de abril de  1792).
    1798- Prepare-se a conjuração Baiana, que contou com siguinificativa participação das camadas populares. Esta rebelião teve como defecho a pena de morte aplicada a João de Deus, Manuel Faustino, Lucas Dantas e Luís Gonzaga das Virgens (8 de novembro de 1799).

                                                   Guerra dos mascates
    Conjuração baiana


                       
                                      Sugestões de livros:
    • Holanda, Sérgio Buarque de (org). História geral da civilização brasileira.
    • Mendes Júnior, Antônio, Luiz& Maranhão, Ricardo.
    • Boxer, C.R. A idade de ouro do Brasil. São Paulo: Nacional,1963.

    domingo, 22 de agosto de 2010

    O processo de emancipação política do Brasil

           No final do século XVIII, as restrições econômicas de Portugal ao Brasil chegaram ao seu ponto máximo,  ao mesmo tempo em que as idéias liberais difundiam-se pelo país. A Inconfidência ( ou Conjuração) Mineira seria o primeiro movimento a manifestar claramente a intenção de romper com Portugal. Alguns anos depois eclodiria a Conjuração Baiana ( também chamada de Inconfidência Baiana), movimento com características acentuadamente populares. Em 1817 ocorreria em Pernambuco a chamada Insurreição Pernabucana, a maior rebelião colonial pela independência.
    • Causa da ruptura do sistema colonial: o aparecimento do capitalismo industrial na Europa, aparti de meados do século XVIII, foi a causa pronfunda que determinou a cria do sistema colonial. Isso porque o capitalismo industrial não se acomodava com as barreiras do regime de monopólio, nem como o regime de trabalho escravista. Assim, com o progresso desse capitalismo, os impérios coloniais ibéricos (Espanha e Portugal) estavam definitivamente condenados.
    • A vida da famíliareal para o Brasil: devido à invasão franco-espanhola ao território português, em 1807, a familia real foi obrigada a abandona Portugal, tranferindo a sede do Reino para o Brasil. Napoleão alio-se à Espanha para invadir Portugal porque D. João recusava-se a participar do Bloqueio Continental contra a Inglaterra.
    • A abertura dos portos e outras medidas D. João: cedendo ás pressões inglesas. D.João decretou, em 1808, a  abertura dos portos brasileiros às  naões amigas. Assim, o monopólio do comércio colonial ficava extinto, exceto para alguns poucos  produtos como o sal e o pau-brasil. A grande beneficiária dessa medida foi a inglaterra que, obtendo junto ao Governo português vantagens alfandegárias pra a importação de seus produtos (Tratado de 1810), passoua ser a maior fornecedora de produtos industrializados para o Brasil. Entre outras medidas administrativas de D. João, destacava-se a elevação do Brasil, em 1815, á categoria de Reino Unido aos de Portugal e Algarves.
    • A Revolução Pernambucana de 1817: o aumento dos impostos, a seca de 1816 e a crise da agricultura afetando o açucar e o algodão foram as principais causa responsáveis pela eclosão da Revolução Pernambucana de 1817. Fazia parte do projeto dos revolucionários a proclamação da Republica e a elaboraçõ de uma Constituição liberal. A Revolução foi reprimida pelo Governo de D. João VI e seus principais líderes foram  condenados à morte.
    • O processo da independência: em consequência da Revolução do Porto, D. João VI viu-se obrigado a deixar o Brasil e partir para Portugal, em 26 de abril de 1821. Governando o Brasil ficou D. Pedro, na qualidade de Príncipe Regente. Assumindo  o controle da situação política em Portugal, as Cortes manifestaram a intenção de recolonizar o Brasil e promover o retorno do monopólio comercia. Reagindo a essas intenções, surgiu o Partido Brasileiroque se movementou em torno de D.Pedro, fortalecendo sua  autoridade interna e encaminhando o processo de independência. Esta é oficialmente proclamada  em 7 de setembro de 1822.

                          Cronologia
    1806- Napoleão Bonaparte decretao Bloqueio Continental contra a Inglaterra.
    1807- Recusando-se a aderir ao Bloqueio Continental, Portugal é invadido por tropas franco-espanholas. Em novembro desse ano, a familia real abondona o território português,  transferido a sede do Reino para o Brasil.
    1808- D-João chega ao Brasil, pressionado pela Inglaterra, assina o decreto da abertura dos portos, rompendo com o  monopólio do comércio colonial.
    1810- Portugale Inglaterra assinam um tratado de comércio, que fixa em 15% a taxa alfandegária ( ad valorem) sobre produtos ingleses vendidos para o Brasil. Os demais países pagavam 24% e Portugal, 16%.
    1815- Elevação do Brasil à  categoria de Reino Unido aos  de Portugale Algarves.
    1817- Explode a Revolução Pernambucana, tendo como ideal a proclamação da República e a elaboração de  uma Constituição leberal. A revolução foi violentamente reprimida.
    1820- Eclode em Portugal e Rebelião do Porto, liderada pela burguesia lusitana.  Os revoltosos exigem a volta de D. João VI ao País.
    1821- D-João VI é obrigado a deixar o Brasil, depois de tê-lo governando por mais de 12 anos. Em seu lugar fica o Príncipe Regente D. Pedro.
    1822- No dia7 de setembro, D. Pedro proclama a independência do Brasil.
                              
                                            D. João VI

    O grito da independência



     7 DE SETEMBRO:







                                               








                                           Sugestões de leitura:
    • Holanda, Sérgio Buarque de (org). História geral da civilização brasileira. São Paulo; Difusão Européia do livro, 1973. 
    • Mendes Júnior, Antônio, Luiz& Maranhão, Ricardo.
    • Mota, Carlos Guilherme. Idéia de revolução no Brasil (1789-1801).

    sábado, 21 de agosto de 2010

    O Primeiro Reinado

            O Primeiro Reinado caracterizou-se por ser um período de transição. Foi marcado por uma aguda crise econômica, financeira, social e política. A efetiva consolidação da independência do Brasil só ocorreria a partir de 1831, com a abdicação de D. Pedro.
    • Assembléia Costintuinte de 1823:  No dia 3 de maio de 1823, reuniu-se, no Rio de Janeiro, uma arrembléia, composta, em sua maioria, de ricos proprietários de terras, cujo objetivo era elbaborar a primeira Contituinte do Brasil. O anteprojeto contituicional elaborado por essa Assembléia tinha um caráter anticolonista e antiabsolutista. Para a participação no processo político, estabeleceu-se um sistema de renda baseada na farinha de mandioca ( Contituição da Mandioca). D.  Pedro I, percebendo que o anteprojeto diminuía os seus poderes, aproximou-se do Partido Português e, com o apoio das tropas imperiais, dissolveu a Assembléia Contituinte, em 12 de novembro de 1823.
    • A Constituição de 1824: Após a dissolução da Assembléia Constituinte, D. Pedro I organizou uma comissão encarregada de elabarar uma nva Constituição para o Brasil. Esta foi outorgada à nação, no dia 25 março de 1824. Estabelecia a  existência de quatro poderes; Judiciário, Legislativo,  Executivo e Moderador. Caracterizou-se por concentrar grande soma de poderes nas mãos do Imperador e criar um sistema eleitoral baseado na renda em dinheiro,  que garantia o acesso dos portugueses ao poder politico.
    •  A Confederação do Equador: É o movimento revolucionário pernambucano que se manifesta em reação à política absolutista de D.  Pedro I. Eclodiu em 2 de junho de 1824, envolvendo as pronuncías do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. O plano dos revolucionários era fundar uma República independente do Governo Imperial. A Contituição provisoriamente adotada foi a da Colômbia. Entre os principais líderes da Confederação do Equador, citam-se: Manuel Pais de Andrade e frei Caneca. A Confederação foi violentamente sufocada pelas tropas enviadas por D. Pedro I.
    •  A Guerra da Cisplatina: A luta pela independência do Uruguai deu início à  chamada Guerra da Cisplatina, que envolveu Brasil e Argentina. Depois de vários combates entre argentinos, cisplatinos e brasileiros, um acordo de paz foi assinado em 1828, mediante a intervenção da Inglaterra. Por este acordo, decidiu-se que, na região cisplatina,seria criada a Repúblixa Oriental do Uruguai. O desfecho desfavorável ao Brasil da Guerra Cisplatina muito contribuiu para desgastar a imangem política do D. Pedro I.
    • A abdicação de D. Pedro I: Ao longo do tempo, vários fatores foram-se somando para justificar a crescente impopularidade de D. Pedro I. Sua convivência com  os Políticos liberais e os membros do Partido Brasileiro foi-se tornando cada vez mais difício. A crise política foi-se tornando de tal modo insustentável que D. Pedro I foi levado a abdicar o trono no dia 7 de abril de 1831, em favor de seus filho Pedro de Alcântara.

                              Cronologia
      1823- Intala-se, no dia 3  de  maio a Assembléia Contituinte encarregada de elaborara primeira Contituição do Brasil. Criando um sistema eleitoral baseado na renda em farinha de mandioca, o anteprojeto ficou conhecido como a Contituição da Mandioca. Em novembro, D. Pedro I dissolve a Assembléia.
      1824- É outorgada no dia 25 de março, por decreto imperial, a primeira Contituição do País. No dia 25 de Julho, explode a Confederação do Equador.
      1825- Os revolucionários cisplatinos assumem o controle militar da Província Cisplana.
      1826- Morre, em Portugal, D. João VI. Aberta a sucessão do trono, D. Pedro I torna-se o legítimo pretendente, mas abdica seu direito em favor de sua filha D. Maria da Glória.
      1828- É assinado um tratado de paz entre Brasil  e Argentina, pelo qual ambos os países aceitavam a contituição da República Oriental do Uruguai.
      1831- D.Pedro I abdica o trono brasileiro em favor de seu filho Pedro de Alcãntara.

                                         O primeiro reinado

      DOM PEDRO I






       Sugestões de leitura:
                             
      • Beiguelman, Paula. formação política do Brasil. Pioneira, 1976.
      • Costa, Emilia Viotti da. Da monarquia á República: momentos decisivos. São Paulo: Grijalbo, 1977. 
      • Mendes Júnior, Antônio, Luiz& Maranhão, Ricardo. Brasil história.

      sexta-feira, 20 de agosto de 2010

      O Período Regencial

      O primeiro Reinado foi um período de transição, com os portugueses mantendo controle sobre as decisões políticas brasileiras, apoiados no absolutismo do imperador. Tal situação era insustentável, tendendo a se resolver ou pela volta do colonialismo ou pela consolidação definitiva da independência política nacional. A revolta de 7 de abril de 1831 consolidou a segunda alternativa.

      • Situação política durante as regências: Até 1834, três grupos políticos disputavam o poder: o dos restauradores, que defendia a volta de Pedro I; o dos moderados, que se preocupava em manter a unidade territorial do País e um regime centralizado; o dos liberais, que defendia maior autonomia administrativa para as províncias.A partir de 1834, a cena política foi conquistada pelos progressistas (aceitavan conceder autonomia para as províncias) e pelos regressistas (defendiam um governo forte e centralizado e eram contrários à liberdade administrativa para as províncias).
      • Período regencial: Após a abolição de D.Pedro I e enquanto Pedro de Alcântara não atingiu a maioridade, o Brasil foi governado por regentes.O período regencial compreendeu três etapas: Regência Trina Provisória, Regência Trina Permanente e Regência Una.
      • Regência Trina Provisória (1831): Governou, aproximadamente, três meses.Sua principal medida foi convocar os políticos para que se elegessem, em Assembléia Geral, a Regência Permanente.
      • Regência Trina Permanente (1831-1834): Representava o grupo dos moderados. O padre Feijó, no cargo de Ministro da Justiça, destacou-se nesse período. No final desta Regência, foi aprovado o Ato Adicional, introduzindo importantes modificações na Constituição do Império.
      • Regência de Feijó (1835-1837): Com base no Ato Adicional, foi criada a Regência Una e o padre Feijó tornou-se regente. No período desse governo explodiram diversas rebeliões nas Províncias e o padre sofreu grande oposição dos regressistas, sendo obrigado a renunciar.
      • Regência de Araújo Lima (1837-1840): Araújo Lima organizou um Ministério que ficou conhecido como o Ministério das Capacidades,composto somente de políticos regressistas. Durante sua Regência, a autonomia administrativa das Províncias, concedidade pelo Ato Adicional de 1834, foi reformulada pela Lei Interpretativa de 1840.
      • Situação econômica do Período: O País enfrentava séria crise econômica, na medida em que seus produtos de exportação caíam de preço no mercado internacional. A balança comercial entrou em desequilíbrio crônico. O déficit foi contornado por empréstimos que nao eliminaram as cuasas do problema. A crise contribuiu para gerar focos de descontentamento em várias regiões do País. Nas Províncias, explodiram rebeliões que a classe dominante buscou rechaçar a qualquer custo.
      • A Cabanagem (1835-1840): Foi uma revolta popular ocorrida na Província do Pará e da qual participou uma extensa multidão de pessoas humildes. Tratava-se de cabanos, isto é, pessoas que moravam em cabanas, à beira dos rios, em estado de miséria. Os cabanos conseguiram ocupar a capital da Província, tomando de forma efetiva o poder local, em 1840, foram duramente derrotados pelas tropas governamentais.
      • A Revolução Farroupilha (1835-1845): Também conhecida como  Guerra dos Farrapos, foi a mais longa revolta do período regencial e teve como palco a Província do Rio Grande do Sul. Entre seus principais líderes, destacaram-se Bento Gonçalves, Davi Canabarro e José Garibaldi. No decorrer das batalhas, os farroupilhas, conseguiram diversas vitórias sobre as tropas imperiais e, com isso, expandiram os seus domínios, fundando a República Rio-Grandense, em1836, e a República Juliana, em1839.
      • A Sabinada (1837-1838): Foi uma revolta ocorrida na Província da Bahia. Teve como principal líder o médico Francisco Sabino. O plano dos sabinos era proclamar uma República na Bahia , que duraria enquanto Pedro de Alcântara fosse menor e estivesse impossibilitado de assumir o poder. Os sabinos não tinham pretenções de alterar o quadro social existente na Bahia. Buscavam, apenas, garantir a sua autonomia política e administrativa. Diante da pressão das tropas governamentais, renderam-se em março de 1838.
      • A Balaiada(1838-1841): Foi uma revolta popular ocorrida na Província do Maranhão. Envolveu um grande número de sertanejos. Teve início com uma luta que envolveu pessoas de dois grupos políticos opostos: o bem-te-vis, que defendiam oposições liberais e os cabanos que defendiam posições conservadoras. Depois alastrou-se pelo sertão da Província, tomando rumos próprios, desordenados e sem o controle de nenhum grupo político unificado. Seus principais chefes foram Manuel dos Anjos, um fazedor de balaios, Cosme Bento, líder dos escravos fugitivos, e Raimundo Gomes, um vaqueiro.


      CRONOLOGIA
      1831- Abdicação de D.Pedro I.
      A Regência Trina Provisória assume o poder até junho desse ano.A partir dessa data, o governo é transferido para a Regência Trina Permanente
      1832- O Ministro da Justiça, padre Feijó, renuncia o cargo.
      1834-  D. Pedro I morre em Portugal.
      É aprovado o Ato Adicional, introduzindo modificações na Contituição do Império.
      1835- Tem início a Regência Una do Padre Feijó.
      No Pará, explode a Cabanagem; no Sul, a Farroupilha.
      1837- O  Regente Feijó renuncia o cargo.
      Tem início a Regência Una de Araújo Lima
      Na Bahia explode a Sabinada.
      1838- A Balaiada tem início no Maranhão.
      1840- Termina o Período Regencial, com a decretação de maioridade de D.Pedro II.
      É aprovada a lei interpretativa do Ato Adicional limitando a autonomia das Províncias. 



      PADRE FEIJÓ







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